Brasileiros acessam mais comunidades virtuais do que email

O número de usuário de Internet no Brasil continua aumentando. Esse ano o país já conta com 33,1 milhões de internautas, um crescimento de 3% em relação a 2006, segundo o IBOPE.Sites de comunidades (de relacionamento, blogs e fotoblogs) são os serviços mais populares na WEB. Batem o uso do email.

Será que tem mais gente lendo blogs e fotologs do que jornal?

Une question pour penser… O interessante da pesquisa do IBOPE, divulgado pelo Globo, é que o brasileiro está na fase madura do uso da web, ou seja, já ultrapassa aquela navegação "dúvida-google-resultado" para uma outra que visa produzir comunidades. Isto significa que os brazucas estão participando mais da produção de informação na web, saindo daquela prática de mero consumidores de portais e motores de busca.

Legal. Sinto que expressamos mais nossas subjetividadades quando preenchemos páginas de orkut, blogs e fotologs. É uma memória que não nos escapa, o contrário acontece ao interagirmos com o aluvião televisivo, por exemplo.

1 milhão de conectados

Li no Terra-Tecnologia que o governo brasileiro encomendou 1 milhão de laptops de R$ 100. A distribuição seria em 2007, no segundo semestre. Lula vai com calma porque quer que o aparelho seja produzido no país. É uma condição de compra.Tá certinho!!!! Não adianta ficarmos com o espelho e os gringos com o pau-brasil. O projeto é maravilhoso, focado nos estudantes de ensino fundamental, porém, o Brasil tem totais condições de absorver a transferência de tecnologia.

E ainda pôr software livre dentro do laptop.

Overmundo: o creative commons tupiniquim

O antropólogo Hermanno Viana – ou o irmão do Herbert, dos Paralamas – lidera uma iniciativa pra lá de bacana. É o overmundo. Um site que reúne textos, vídeos, audios, imagens de forma livre e aberta, sob a licença creative commons. Você disponibiliza seus conteúdos para que todos acessem, copiem, distribuam e alterem de forma livre e aberta.

São as estratégias para a culture circule sem as amarras das atuais leis de propriedade intelectual. Muito bom!

Por que um jornalista deveria ter um blog?

Percebendo as dezenas de blogs que leio diariamente, notei que essa coisa de post estilo 'as 5 maneiras'', "0s 7 erros", é mais que um conteúdo, é um gênero da blogoesfera.Li esse post no Cyberjournalist. Gostei porque reúne algumas idéias que demonstram a diferença do blog para o jornalismo tradicional. Trata-se da justificativa feita pelo jornalista Chip Scanlan dos motivos pelos quais deixou de ser colunista para virar um blogger. Ele mostra 7 razões. Traduzi o post, logo há um monte de traição:

1. Os posts dos blogs respondem rapidamente ao cenário de mudança. O blog propicia escrever tudo que você pensa naquele dia em vez de focar seu tempo numa única coluna semanal. É a diferença entre ser um colunista e ser um "especialista de batidas no teclado" (blogueiro). Pode-se escrever de política, religião, memórias. "É para se sentir livre".

2. Quando se bloga, nossos parâmetros de análise do mundo são diminuídos (ou relativizados). Ou seja, ao escrever sinto que há um manancial de informação sobre aquele assunto. Nos tornamos (sic) mais humildes. O blog é algo mais informal e menos carregado de expectativas em comparação com a coluna.

3. "Eu sou o meu próprio editorial". Como um repórter de jornal, somos treinados a deixar as nossas opiniões fora da histórias. No blog podemos opinar o quanto quisermos.

4. A mudança é vital. Muitos colunistas, editores ou repórteres sabem que, para não se queimarem com determinadas opiniões, o melhor é mudar de nome. Usam pseudônimo. Podem polemizar ou dizer aquilo que muitos pensam. Isto acabando refrescando os próprios leitores. É uma sensação de liberdade. Então mudar é fundamental.

5. Blog não é um fenômeno novo, mas ainda está na vanguarda da web. Não é bom ficar para trás. É só notar que os jornalistas estão começando agora ter seus blogs. É bom se sentir na vanguarda e junto com quem está.

6. "É o meu portfólio". É uma experiência de trabalho. Há escritores que viram seus blogs ser impressos na forma de livro. Há jornalista que viu sua nota publicada nos jornais. É um dispositivo de marketing pessoal.

7. Torna-nos um pouco mais passional. Ficamos mais quente e menos rígidos, isto porque nos descobrimos como leitores, escritores e "retrucadores".

5 coisas para fazer no início do semestre letivo

O semestre, ou melhor, o ano começa. No final dos anos 80, havia no ES um jingle das Lojas Itapuã:

"Fim de férias, foi bom descansar, agora é tempo de estudar, rever os amigos, coisas novas aprender…".

Fiquei pensando em cinco coisas fundamentais para se fazer após a volta às aulas:

1. Arrumar a estante de livros.

2. Jogar fora aqueles papéis que não joguei na arrumação do final do ano letivo anterior.

3. Comprar canetas, porque as minhas sumiram todas.

4. Fazer planos e planos. O maior deles: instalar Linux, Mozilla, etc, no LAbcom.

5. Pensar nas próximas férias.

a visão de Antonio Negri sobre os hackers

Hoje trabalhei lendo textos e mais textos. Então a minha reflexão é sobre um artigo de Antonio Negri que traduzi para a um livro que vai sair no proximo semestre. Vai se chamar "O Comum" (o livro). Há uma passagem – que eu gostei muito – sobre a mudança na natureza do trabalho após a informatização e o trabalho dos hackers.Quem trabalha com tecnologia, tem agora como valor não mais o trabalho em si, mas o desejo de compor multidão – porque produz sempre de forma cooperativa. Mas, alguém poderia dizer, mas todo relação social de produção contém cooperação. Claro que sim.

Mas a novidade é que é uma cooperação que produz com instrumentos de trabalho próprios, que não são dados pela capital. É um trabalho que produz multidão.

Acredito que o universo dos blogs tem muito de multidão, tal como Negri conceitua. É um trabalho de singularidades cooperantes (multidão). Mas vamos ao texto (em primeira mão. o resto é segredo):

O que me interessa destacar são algumas características que estão relacionadas com a prática de seu trabalho e que formam parte de sua ética além de formar parte de seu trabalho. Penso que os hackers valorizam antes de tudo uma relação com o trabalho que não se baseia no dever e sim na paixão intelectual por uma determinada atividade, um entusiasmo que é alimentado pela referência a uma coletividade de iguais e reforçada pela questão da comunicação em rede. São vários os autores que explicam essa ética hacker e que insistem em pensar que o espírito hacker consiste na recusa das idéias de obediência, de sacrifício e de dever que sempre foram associadas à ética individualista, à ética protestante do trabalho. Os hackers substituem essa ética não de uma maneira egoísta, mas, ao contrário, por um novo valor que prega que o trabalho é mais alto quanto maior seja a paixão que esse trabalho desperte. Falamos de paixão, aderência, interesse e continuidade. Essa maneira de pensar o trabalho une, fundamentalmente e de maneira indissociável, o prazer intelectual a força pragmática e ao compromisso social. O modo de produção open-source, que é uma invenção dos hackers e que por sorte é exportável (pode ir mais além da prática mais estrita dos hackers, já que é um projeto que pode ser retomado por outros) se tornam imediatamente comunicativo. O software livre com código de fonte aberta (open source software) é um produto de colaboração voluntária, aberta e auto-organizada entre programadores que estão divididos pelo mundo inteiro e que estão ligados em rede produzindo programas abertos e modificáveis pelos usuários locais, que sempre se colocam como competentes iguais. Quando o Linux nasce é uma criação genial que é colocada em circulação. Esta paixão intelectual pelos problemas mais difíceis cria continuamente.

para onde vai a televisão digital?

Muitos viram a propaganda das emissoras de TV aberta em defesa da TV gratuita. Todos sabemos que não há almoço grátis, muito menos TV, que é paga pela publicidade e por nós, que somos obrigados a ver e ouvir os reclames.Esse anúncio, quase um teaser, demonstra a disputa política e econômica em torno dos rumos da televisão digital. Por um lado, estão os radiodifusores (com a Gloobo hegemonizando). Do outro, estão as empresas de tele comunicações (e seu forte capital). Tem um terceiro: a sociedade civil organizada. E no centro das discussões: qual é o padrão de TV digital a ser adotado no Brasil. A decisão não é técnica, é política. Como todas as decisões desse mundo.

a questão técnica, primero

É simples o que seja televisão digital. É uma tecnologia (modulação) que possibilita a compreessão digital para enviar vídeo, áudio e dados. Imagina uma brincadeira de criança. Estão lembrados daquele minhocão que a molecada passa por dentro? Nele entra sempre uma criança por vez.

Agora imagina que cada criança pese 20 quilos. Agora imagina um mágico (modulador) que chega e fala: "moleque, vc vai ficar pequeno e pesar 5 quilos! Cabum!".

Pois é… a modulação digital diminui o peso dos programas (a criança) que passam pelo canal (minhocão). E o melhor: pode fazer com que quatro programas entrem e saíam ao mesmo tempo do canal. É como quatro crianças entrassem e saíssem, uma ao lado da outra, no mesmo instante em um minhocão do mesmo tamanho. Resumo da ópera: uma emissora pode virar quatro.

o que muda então?

Essa diminuição do peso dos programas pode produzir várias transformações, depende das tecnologias que fazem isto. E aí são três tecnologias, chamadas de modelos de padrão de Tv digital. O japonês, o europeu e o americano. Parece piada, mas não é. São iguais em quase tudo: utilizam a mesma tecnologia de compressão de audio e de vídeo. O audio por exemplo vai ter o dobro de qualidade do melhor aparelho de TV atual. E os canais Os canais vão do 7 ao 70. A tela terá quase um metro de largura. Tudo isto independente do modelo a ser adotado. A questão é que eles se diferenciam no tal do middleware, que é a modulação.

O padrão americano é ruim, já descartado.

Adotado por mais de 50 países, o europeu usa a definição padrão (imagem de DVD). E privilegia a multiprogramação. São quatro crianças passando, ao mesmo tempo e do mesmo lado, no minhocão. Claro! Na Europa há muitos países. Sempre foi difícil resolver a questão da interferência. Você morava na Alemanha, mas sofria interferência dos sinais que vinham da França, dos países do Leste, da Aústria etc. Por conta disto sempre precisou ter um número reduzido de canais. Depois da televisão digital tudo mudou por lá. Isto por que foi desenvolvido uma modulação que permite, em um mesmo canal, transmitir quatro programas ao mesmo tempo. É como hoje ligássemos no canal da TV Câmara da Alemanha e pudéssemos assistir quatro programas ao mesmo tempo: uma votação no plenário, um debate em um sala qualquer, uma inquirição na CPI e uma resolução das Comissões. Sem mudar de canal. Pois bem… Além disso, há um grande ponto forte: o padrão europeu permite a interatividade. Logo, a televisão pode ser mais um instrumento de inclusão digital no país.

Já o modelo japonês permite a chamada televisão de alta definição, que se traduz numa imagem seis vezes melhor que a de DVD. Só que isto não permite a multiprogramação. É uma criança – muito gorda – passando pelo minhocão. Além disso, possibilita a recepção móvel e portátil, que garante a televisão "gratuita" via celular. Muito bom porque você poderá assistir TV no ônibus ou no carro sem imagem com chuvisco. Não tem interatividade nenhuma. Ele só é adotado… no Japão.

vamos optar por qual?

Qualquer que seja nossa decisão, teremos que adaptar o modelo à nossa realidade. O governo brasileiro há dois anos investe em pesquisa para criar inovação através de um consórcio de 20 universidade brasileiras. Houve grandes descobertas. A maior delas: o middleware paraibano, que permite televisão de alta definição com interatividade. Ou seja, é o modelo japonês com a interatividade européia. Há outras, mas vamos voltar ao tema – da escolha política do modelo.

Há uma tendência em escolher o japonês, graças a força política das grandes emissoras de TV e rádio. Com o modelo japonês (com a inovação paraibana), tudo vai ser mantido. Ou melhor a hegemonia da Rede Globo, que também vai poder oferecer acesso a internet em banda larga, vender vídeo sob demanda e entrar no mercado da telefonia (a voIP, por exemplo). Conta a favor ser 2006 um ano eleitoral. Lula quer um cobertura do pleito menos racorosa dos mídias. O ministro Hélio Costa, que se posiciona como um lobista das emissoras, defende desde julho do ano passado o modelo japonês. Sabe que ele só vai ficar até o final deste ano na pasta. Pesa contra ele o relatório técnico da CPqD, empresa que fez um estudo dos impactos dos modelos na realidade brasileira, mostrou que o japonês vai ser o mais custoso para a população.

Sem contar que, para a sociedade civil, o modelo japonês não gera a multiprogramação. Algo fundamental para ampliação da cultura e da democracia no Brasil, embora todos saibamos que fazer televisão custa muito caro e quem paga é o anunciante – algo que mesmo os movimentos sociais defendem (vide a defesa do apoio comercial que querem as rádios comunitárias). Vamos fazer televisão, mas com verbas publicitárias, dizem. Mas o mercado públicitário não é elástico suficiente para patrocinar tudo.

Para complicar, os japoneses declararam que não cobrariam os royalties por suas tecnologias. O governo brasileiro pressiona para que eles criem uma empresa de chips no Brasil. Algo que não querem.

Para complicar mais ainda, o ministro Luiz Fernando Furlan é o mais árduo inimigo do modelo japonês. Defende o europeu. Mas defende também os interesses das teles, que não têm poder político, mas um enorme poder econômico. E com o padrão do velho continente, as teles poderiam entrar no mercado de radiodifusão. Quebraria a hegemonia da Globo, possivelmente. Como diz o presidente da Vivo, a próxima meta é superar as Havainas. Ou seja, quase todo brasileiro tem uma havaina, as teles querem bater esse número em termos de vendas de celular.

Para complicar mais e mais ainda, a sociedade civil quer multiprogramação. Nem tanto interatividade. Quer que sindicatos, movimento organizados, possam produzir e dinfundir conteúdo. É democrático. É correto. Portanto, são contra o modelo japonês.

Para complicar mais, mais e mais ainda, o Congresso resolveu discutir o tema. Mas sem decidir o modelo.

O governo quer trasmitir um jogo da seleção brasileira no dia 7 de setembro. Algo espetacular. Então seria um golaço fazer a transmissão digital este ano.

Ninguém sabe o que vai ser escolhido. Se for deixado para o ano que vem, as emissoras de TV perdem. Se for este ano, elas ganham. E se ganham, ganhará o modelo japonês com ajustes brasileiros. Logo, a propaganda no ar de defesa da televisão "gratuita" faz parte de um jogo de xadrez.

Futuro do jornalismo digital

Fiquei lendo as entrevistas feitas pelo site oficial do VIII Seminário de Jornalismo Digital, realizado na Espanha. Gostei de uma reflexão de Fernando García Mongay, director del Congreso de Periodismo Digital, um dos entrevistados:Sobre a fase que está o jornalismo digital:

É a história de um jovem que cresce com muito vigor nos primeiros anos, que sofre uma grande crise – nos anos 2000-2001 – e que vai se levantando pouco a pouco até que agora se pode dizer que goaz de uma boa saúde. Este pode ser o resumo da situação do jornalismo digital. Podemos distinguir em três etapas, o auge, a queda, para se aventurar que agora estamos em um momento de paz.

Sobre a polêmica do "jornalismo cidadão":

Em minha opinião pessoal, e que se manifesta no Congresso, é que os jornalistas são que faz jornalismo, e os cidadãos podem fazer informação, mas não jornalismo. Mas é imprescindível manter o rol e o estatus dos informantes na era digital, porque, ademais, a profissao está dando respostas e segue dando respostas aos objetivos que traz o novo suporte.

Regras para design da interação

Parece esquisito, mas preferi traduzir Interaction Design por desenho da interação. É como os designers chamam as estratégias para proporcionar uma interatividade segura com os usuários em suas páginas.

Há um texto maravilhoso sobre isto, em espanhol. Chama-se em bom português Princípios iniciais do Desenho da Interação, de Bruce Tognazzini. Alguns deles:

– antecipação: um bom design sempre se antecipa aos desejos e necessidades dos usuários.
– daltonismo: cuidado com texto colorido. 10% dos aultos são daltônicos.
– consistência: ter estruturas visíveis (ícones, por exemplo) e invisíveis (é como aquela cachorinho da ajuda do world, é invisível, mas não é), atalhos teclados sempre funcionando, evitar a uniformidade, testar um design com a ajuda dos usuários etc.
– eficácia do usuário: busque a eficácia do usuário e não do computador.

Adorei uma coisa neste texto. Ele relata uma tal de Lei de Fitt [o tempo necessário para alcançar um objeto é diretamente proporcional a distância e ao tamanho do objeto]. Agora eu entendi porque eu detesto navegar na internet pelo celular. Os ícones são minúsculos. Na nevagação por desktopo, há páginas que os ícones ficam longe do movimento do nosso mouse. É péssimo isto mesmo.

Uma outra informação bacana é que as áreas de maior clicabilidade de uma páginas são os cantos delas.

Dica do Blog Ecuardeno